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Estudantes se preparam para as últimas fases da ONHB

Publicado: Sexta, 15 de Junho de 2018, 08h13 | Última atualização em Sexta, 29 de Junho de 2018, 08h29 | Acessos: 170

Um mergulho no passado; uma aventura pelo presente. Iniciativa extensionista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) está em sua 10ª edição neste ano e conta com a participação de 21 equipes do Campus Jacobina do IFBA. Cada grupo é composto por três estudantes dos cursos técnicos integrados ao ensino médio, além da professora da disciplina Carla Côrte, coordenadora local da competição e mestra em história social.

Desde 2015 o campus participa do evento, chegando, em todas as edições, à prova final. Dividida em fases realizadas virtualmente e de maneira presencial, a ONHB 2018 abrange provas de múltipla escolha, nas quais há mais de uma questão correta, com pontuações diferenciadas a depender do grau (analítico ou descritivo, por exemplo); desenvolvimento de tarefa-surpresa e atividade de caráter dissertativo, esta última ensejando a ida dos jovens a Campinas. “É um momento em que eles interagem com estudantes e professores de todo o país, além de ter a oportunidade de conhecer uma das melhores instituições de ensino da América Latina”, destaca a profa. Carla.

Premiado em 2017 com o bronze, o Campus Jacobina foi o único medalhista no âmbito do ensino público do interior baiano. O tema da prova esteve voltado para as Diretas Já, bem como meritocracia e acesso da população negra à educação, enquanto a tarefa desenvolvida pelo trio vencedor do 3º lugar nacional consistiu num pasquim, espécie de jornal satírico. Neste ano o desafio será a confecção de um jornal escolar para discutir, a partir de argumentos históricos, favoráveis ou não, o projeto da Reforma da Previdência e seus desdobramentos.

imagem: imagem: equipe ganhadora do bronze em 2017 ao lado da profa. Carla segurando a bandeira do estado da Bahia

Equipe medalhista do bronze em 2017 - Arquivo Pessoal

“O tema da ONHB deste ano nos remete às relações entre as leis, a justiça, os direitos e a cidadania. Estamos refletindo sobre os modos pelos quais as leis vão se transformando ao longo do tempo, tanto na forma como são escritas quanto interpretadas e aplicadas. As leis revelam os jogos de poder, lutas por direitos e os costumes de cada período, e, por isso, são um objeto privilegiado da história”, explica Carla.

Por dentro da história...

De perspectiva interdisciplinar, a Olimpíada tece aproximações com outros ramos do saber, como geografia, literatura, arqueologia, urbanismo e atualidades. “Identifico que os alunos participantes da ONHB são os mais ativos, autores dos debates mais qualificados. Ultrapassando a sala de aula, a Olimpíada contribui sobremaneira para a autonomia e a formação crítica dos nossos estudantes, além de incentivar o perfil de pesquisador, na busca por fontes diversas. Dois egressos do IFBA estão hoje na Universidade de São Paulo (USP). Um deles só não prestou vestibular pra História devido à concorrência, optando por Letras. Acredito que ter participado da ONHB influenciou nessas escolhas e resultou no bom desempenho acadêmico”, pontua a docente.

Reunidos semanalmente para discutir questões relacionadas às provas e diariamente através de aplicativos, os grupos do Campus Jacobina vivenciam a construção e reconstrução constante de ideias. Mediadora do debate, a professora declara que apenas apresenta os caminhos, garantindo que os protagonistas são os próprios estudantes.

A jovem Alice Freitas, 18, aluna do 4º ano do curso técnico integrado de mineração, inscreveu-se, pela primeira vez, na ONHB, em 2017, e foi logo conquistando medalha. “Conhecia a Olimpíada desde o ensino fundamental, mas não havia participado ainda. Uma colega me falou. Então fizemos o trio. Considero uma experiência nova, muito interessante. Neste ano, tentaremos chegar à final [fase presencial] novamente. Pra mim é uma vitória como passar no vestibular”, narra a estudante.

Nas suas palavras, as fases das provas online contribuem diretamente para o desenvolvimento intelectual, mas a comunicação com outras pessoas, o que classifica de “troca cultural”, é o maior benefício. “O trabalho em equipe, a interação com professores e estudantes de outros estados, é importante para nossa vida acadêmica e pessoal”. Intitulada As Guerrilheiras do Araguaia, sua equipe tece homenagem a mulheres que marcaram a história do país.

Já o colega Antony Araújo, 17, do curso de informática (4º ano), participa desde 2015 da Olimpíada, quando teve orientação do professor Jorge Luz. Apesar de não ter chegado à etapa presencial nem recebido medalha, na sua opinião, estar na ONHB é sinônimo de aprendizado: “As pessoas geralmente acham que é preciso saber muito sobre história, mas a Olimpíada ajuda, desenvolve essa capacidade”, conta.

Ao longo dos anos, o jovem experimentou os desafios das olimpíadas de física e matemática, e até competição para construção de protótipos de foguetes. Agora, mais focado na medalha, confessa que seu grupo está empenhado nos estudos para garantir a premiação. Chamado de Maria Pitú, o trio homenageia uma personagem emblemática de Jacobina (in memoriam), famosa pelas típicas frases em que expunha as relações de gênero: “'É só homem que pode beber ou andar a cavalo?' Ela sempre estava no bar”, rememora Antony.

imagem: Alice e Antony sorrindo para a câmera

Alice e Antony

Em comemoração pelo aniversário de dez anos de existência, a coordenação da ONHB está organizando um livro com depoimentos e narrativas de professores envolvidos com a iniciativa. A prática pedagógica de Carla Côrte em torno do processo formativo inaugurado com a Olimpíada será uma das narrativas compartilhadas. Dentre outros ganhos, o acesso às mais variadas fontes históricas, sujeitos, concepções e referências bibliográficas que restituem o lugar de fala de grupos socialmente invisibilizados e ressaltam o protagonismo feminino são destaques para a docente.

“Na interface com essas descobertas, a ONHB é um agente motivador na construção, com os estudantes, de outras possibilidades de ensinar e aprender História. Nessa experiência, potente e transformadora, estabelecemos um diálogo com os vários segmentos envolvidos no processo educativo, construindo aprendizagens individuais e coletivas, que me parecem muito significativas. Isso amplia e oxigena o exercício docente”, revela Carla.

Das 21 equipes do Campus Jacobina, oito se classificaram para a 5ª fase, enquanto duas (estando uma na lista de espera) seguem para a grande final presencial, que ocorrerá nos dias 18 e 19 de agosto, no estado de São Paulo.

imagem: estudantes classificados para as últimas etapas ao lado da profa. Carla em frente à fachada do campus

Equipes classificadas para as próximas fases

 

Texto e fotos: Verusa Pinho

Colaboração: profa. Carla Côrte

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